março 30, 2004

março 26, 2004

Respirar...finalmente...

Ontem num electrocardiograma que fui fazer, perguntaram-se se era nervosa. Tinha a pulsação a 93. Coisa normal...
Tentei explicar à senhora que era por causa do fecho do trimestre. Olhou para mim com um ar estranho emitindo um "Ahhhh Pois"

Será que isto diz alguma coisa a mais alguém?

Ou estão a contar os minutos?
A ver o dia tornar-se noite?
Acordar com o amanhecer?

Inspira!
OMMMMMMMMMMMMMMMMM

Inspira!
OMMMMMMMMMMMMMMMMM

Inspira!
OMMMMMMMMMMMMMMMMM

março 23, 2004

O insustentável peso de ser português II

Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo
SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5.o,maço 7)

Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.

Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres.

El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo.

março 22, 2004

O insustentável peso de ser português I

Maria cruza as mãos em cima das pernas. Sentou-se na cadeira oposta à minha, o mais longe possível e evita os meus olhos sempre que pode, fixando as suas mãos ou o chão cinzento à sua frente.
Veio acompanhada. As cadeiras a seu lado são preenchidas por quase toda a sua família. O marido desempregado, a mãe doente, os dois filhos ainda de colo. Sou eu contra 5.
Sou eu contra dois pais desempregados. Contra alguém que me tenta convencer que "o meu sonho era ser doméstica, nunca sonhei ser mais que isso".
Questiono se não és mais por ser impossível, ou por nem almejares mais para ti.
As minhas mãos cruzam-se no colo, baixo os olhos e fixo o chão cinzento.

"Então fica combinado" digo, quebrando o peso do silêncio. "Quando tivermos uma tarefa para si, ligamos-lhe e vem cá ter"

"Se conseguir venho"

"Não tem transporte ao pé de casa?"

"Tenho, mas posso não ter dinheiro para o autocarro"

Um nó aloja-se na garganta. Um nó que não desce.
Fixamos todos as nossas próprias mãos.

As minhas são suaves. As tuas não.

Engulo em seco e sinto o que precede as lágrimas. Aperto as mãos uma contra a outra e não consigo mais do que "Vou ver o que consigo fazer por si".

março 17, 2004

Grandes Notícias

Melhores que as minhas!

O mano africano já anda por aí :))))))
Uma boa recuperação!!!

Pufffff

Pensar
Escrever 10m
Filmar 40m
Importar
Montar horas a fio
Ver e pensar que fiz a chamada grande merda...vulgo...uma curta horrível
Ser criticada
Pensar novamente
Filmar mais 10m
Importar tudo
Montar dias a fio
Corrigir pequenos detalhes quase imperceptiveis
Ver
Achar que está melhorzinho, mas que tenho de fazer uma coisa destas todos os meses!

Resumindo!...
Acabei a minha primeira curta com 2'15'' :)
Estou pronta para mais!

março 11, 2004

Atentado

Como na internet, nos blogs, não há silêncios....
Deixo aqui algumas linhas em branco, pelas vítimas:







Sem palavras...

Salvem o cinema Odeon

Já tinha lançado este pedido de ajuda no passado...mas volto à carga!
A CML não se mexe...o Ministério da Cultura idem.

Mas isto não é novidade e não devemos esperar pelas acções do estado, se queremos ver as coisas feitas.

A forma de ajudar neste momento é divulgar esta informação e comprar as lindas cadeiras de veludo que ainda não foram vendidas.

Por favor divulguem!

março 08, 2004

Por razões, que quem me conhece pessoalmente sabe quais são, deixo-vos hoje um pequeno plágio da revista MovieMaker.

São as regras de ouro de Jim Jarmusch...e acho que se aplicam a mais coisas, do que apenas ao cinema...

Rule #1: There are no rules. There are as many ways to make a film as there are potential filmmakers. It’s an open form. Anyway, I would personally never presume to tell anyone else what to do or how to do anything. To me that’s like telling someone else what their religious beliefs should be. Fuck that. That’s against my personal philosophy—more of a code than a set of “rules.” Therefore, disregard the “rules” you are presently reading, and instead consider them to be merely notes to myself. One should make one’s own “notes” because there is no one way to do anything. If anyone tells you there is only one way, their way, get as far away from them as possible, both physically and philosophically.

Rule #2: Don’t let the fuckers get ya. They can either help you, or not help you, but they can’t stop you. People who finance films, distribute films, promote films and exhibit films are not filmmakers. They are not interested in letting filmmakers define and dictate the way they do their business, so filmmakers should have no interest in allowing them to dictate the way a film is made. Carry a gun if necessary.

Also, avoid sycophants at all costs. There are always people around who only want to be involved in filmmaking to get rich, get famous, or get laid. Generally, they know as much about filmmaking as George W. Bush knows about hand-to-hand combat.

Rule #3: The production is there to serve the film. The film is not there to serve the production. Unfortunately, in the world of filmmaking this is almost universally backwards. The film is not being made to serve the budget, the schedule, or the resumes of those involved. Filmmakers who don’t understand this should be hung from their ankles and asked why the sky appears to be upside down.

Rule #4: Filmmaking is a collaborative process. You get the chance to work with others whose minds and ideas may be stronger than your own. Make sure they remain focused on their own function and not someone else’s job, or you’ll have a big mess. But treat all collaborators as equals and with respect. A production assistant who is holding back traffic so the crew can get a shot is no less important than the actors in the scene, the director of photography, the production designer or the director. Hierarchy is for those whose egos are inflated or out of control, or for people in the military. Those with whom you choose to collaborate, if you make good choices, can elevate the quality and content of your film to a much higher plane than any one mind could imagine on its own. If you don’t want to work with other people, go paint a painting or write a book. (And if you want to be a fucking dictator, I guess these days you just have to go into politics...).

Rule #5: Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic. Authenticity is invaluable; originality is nonexistent. And don’t bother concealing your thievery—celebrate it if you feel like it. In any case, always remember what Jean-Luc Godard said: “It’s not where you take things from—it’s where you take them to.”

março 03, 2004

Os meus dias são um punhado de horas, populados por minutos onde se dividem milhares de tarefas...nesses momentos, corro, resmungo, penso, estou de pé, sento-me, falo, oiço, durmo pouco ou quase nada, tusso, espirro...

Num "ram ram" sem fim!

São 9 da noite e quando devia estar a relaxar da confusão que têm sido os meus dias, estou a rever coisas, a mexer em orçamentos, a trocar de produtora, a assinar declarações, a preparar a montagem de uma curta que ainda me atafulhou mais os dias...
Dizem que quem corre sempre alcança...logo se verá!

E vós como ides?
Tenho tido pouco tempo para vos ler...
Como vai a publicidade?
O argumento?
A volta da viagem?
A casa nova?
O cheese-cake?
A operação?

março 02, 2004

Zero 7 :)
No Coliseu!!!!
Yes!

março 01, 2004

Começou com um calor
Depois um frio intenso
Depois febre
Espirros para todo o lado
Mesmo às refeições ;) IUC!
Depois desapareceu
Depois veio a tossa
Aquela que faz comichão intensa
E assim se passa um fim-de-semana
No meio de tudo isto
Goza-se as vistas com a camara em movimento!